11 April 2017

Série: Black Mirror

   Passei três finais de semana vendo as três temporadas lançadas até então, e cheguei a conclusão que: estou viciado em Black Mirror. Além da série ter me conquistado sem eu ter criado nenhuma expectativa, ela passou a ser uma das preferidas de todas as que já assisti na vida.
   Ela é do tipo de série que mais prende a atenção: bagunça todo o psicológico e ainda no final deixa um grande ponto de interrogação. Esse gênero de série é bastante conhecido e chamado como "nonsense", em português "sem sentido", que literalmente é sem sentido, bizarro e contra a lógica.
   Todos os episódios me chocaram e me deram vários motivos para falar deles aqui. Alguns realmente não consegui entender, mas como o objetivo era listar apenas alguns dentre eles, tive que me esforçar um pouco para escolhê-los.
   A série tem como sinopse principal uma sociedade com grande avanço tecnológico e o impacto que essa tecnologia tem em temas cotidianos e nas relações humanas.
   Cada episódio tem seu próprio mundo com uma história completa: começo, meio e fim, ou seja, é uma antologia. Essa é a série perfeita pra quem não se compromete em ver uma serie porque sabe que não vai conseguir acompanhar. Não precisa se preocupar, você pode começar pela segunda temporada, voltar pra primeira, ir pra terceira... Enfim, você quem escolhe quais episódios ver.


   
   A realidade é paralela da que vivemos e muito mais próxima do que imaginamos!
   Sim! Muitas das tecnologias apresentadas na serie já estão em meio a nossa realidade, desfigurando o padrão do gênero fantasioso. A serie tem aquela sensação apocalíptica que fica ainda mais assustadora quando a nos damos conta da proximidade que essa realidade está. 
  
   A brutalidade e bizarrice do episódio "The National Anthem" (S01E01)
   Os melhores adjetivos que encontrei pra descrever esse episodio foram: confusão e ironia. Este foi um dos episódios do qual não consegui absorver muita informação por conta de ter ficado muito confuso e sem saber o que pensar, mas com certeza consegui absorver a enorme ironia que o episodio é.

   A ambiciosidade da tecnologia em "The Entire History of You" (S01E03)
   Nessa visão sobre um futuro próximo, as pessoas tem dispositivos de gravação e reprodução acopladas em seus olhos e gravam tudo o que vêem e podem  executar a qualquer hora que quiserem. Tudo fica acessível, cada segundo do qual você já presenciou foi gravado e pode ser reproduzido e exibido. A filosofia do episodio beira tenuemente a linha do equilíbrio, podendo perder o controle de qualquer situação em questões de segundos, já que quando todos os momentos ficam acessíveis, pessoas poderão usá-los de acordo com seus interesses. O episódio põe em questão a importância da presença física, já que a memoria reproduzida pode ser tão real a ponto da substituição sentimental.

   A perturbação de "White Bear" (S02E02), "Playtest" (S03E02) e "Shut Up and Dance" (S03E03) 
   Quando a intenção do episódio é perturbar quem assiste, esses três episódios chegam ao ápice do terror psicológico. Isso porque, a sagacidade do mistério é tanto, que a tensão dos episódios choca o público lentamente, de minuto a minuto. Fica agonizante acompanhar o sofrimento dos personagens e não poder fazer nada.

   A grandeza do episódio "Nosedive" (S03E01)
   Nele, as pessoas podem ser avaliadas e as notas (que podem chegar até 5) é quem determinará no meio social se a pessoa será respeitada, admirada ou humilhada. Esse episodio é o que mais se aproxima da nossa realidade, o que contrapõe a nossa fome por visualizações e curtidas, vivendo somente para um mundo virtual, ultrapassando nossos limites por números para ter aprovação social.


15 March 2017

Resenha: Royal 47

   Em “Verme!“ o leitor se conecta com Rino de uma forma madura e produtiva. O personagem sai do livro, te chama para tomar um café e trás longas conversas reflexivas para você quebrar a cabeça.
   Mas como ele se tornou esse personagem literário que você se identifica com suas características e que te faz abrir os olhos sobre alguns aspectos do cotidiano? É isso o que vamos ver em Royal 47.
   Aqui temos um Rino mais infantil e debochado sobre a sociedade, que não se importa com a questão de ética literária e escreve o que pensa sem titubear. O foco principal do livro é nos mostrar a “transição” de Rino para uma nova vida, já que seu irmão acaba de voltar para o Brasil com sua mulher, precisa de um lugar para ficar e na casa de sua mãe já está um aperto. Ele começa a perceber as novas oportunidades e novos caminhos que estão aparecendo e com o propósito de dar mais conforto a sua família, ele decide ir morar sozinho.
   Sem companhia, ele nos contará através de uma máquina de escrever como é sua novas rotina, as novas paqueras que estão entrando e saindo de sua vida e também nos relata de forma cômica algumas experiências por profissões que Rino brevemente se aventura.
   É nesse momento que começa a mudar sua visão sobre o mundo e nos mostrar a transição entre um Rino “imaturo” até o Rino que conhecemos em Verme.


   Novamente vamos acompanhar a crítica ao atual mundo literário que Jim Carbonera faz, mas dessa vez veremos isso de uma forma mais leve e indireta, colocando na balança os valores de um escritor que tenta refletir e um escritor que tenta vender.
   Fica claro que neste livro Rino ainda não amadureceu totalmente e em alguns momentos pode ser comparado a um adolescente descobrindo o mundo, mas em nenhum aspecto a escrita madura do autor deixa a desejar, o que até surpreende quando um autor já tem sua técnica de escrita e sai da sua zona de conforto para abordar uma outra vivência da qual está acostumado a escrever. Jim não precisa escrever e descrever sentimentos, apenas com uma frase ele nos joga para dentro da história e nos faz sentir toda a carga emocional do momento.


   Em uma breve passagem do livro, Jim mostrou um lado do qual eu não conhecia, ele soube descrever os sentimentos de uma mulher (não que eu os entenda perfeitamente), mas em um diálogo ele soube expressar bem o drama que algumas mulheres sofrem em relacionamentos, e também trouxe a questão da diferença etária à tona e como o papel do homem é visto como vantagem em relação ao da mulher... Mas é claro, o autor nos expõe isso sem perder o seu gingado, do mesmo jeito que ele se mostra sensível já na pagina seguinte vemos a “masculinidade crua” da escrita de Jim. 

Até a próxima Ledores! 

08 March 2017

Filmes de Fevereiro de 2017

Pega a pipoca e vem que hoje o post é sobre todos os filmes que vi em Fevereiro de 2017! Para ler a sinopse, só clicar no nome do filme.

Que chovam as pedras, mas La La Land não me conquistou assim como conquistou o mundo. Fui com muita sede ao pote e não consegui me identificar e amar o filme. Mas o problema certamente foi comigo, porque o filme é um presente para quem é viciado em cinema. Ele tem qualidades técnicas impecáveis: fotografia, roteiro, atuações, figurino, etc... Enfim, é o filme que enche o diretor de orgulho por fazer o seu papel muito mais que bem feito, levando 14 indicações ao Oscar.


Sem efeitos especiais gastos com guerras, lutas e máquinas inteligentes, o filme cumpre muito bem o seu papel dentro do gênero, retratando a inteligência artificial de uma forma original e sincera. Preparei um post separado pra esse filme, clica aqui.


O filme conta com Sandra Bullock, tom Hanks e Max von Sydow, grandes nomes do cinema, porém, tudo o que consegui perceber além desses nomes não aproveitados, foram os usos de métodos clichês para forçar o espectador a se emocionar. Tentaram me fazer chorar, mas foi uma tentativa em vão. Fora isso, o filme não tem nada de novo e tem uma fotografia simples.  


Adaptado do livro de Paula Hawkins de mesmo título e protagonizado por Emily Blunt (a eterna secretária de Miranda Priestly), esse filme trás uma história original e conta com atuações maravilhosas. Do segundo ato até o final, o enredo se perde um pouco na própria história e causa um desconforto no telespectador devido seu mistério. Particularmente, me surpreendi com o filme apenas por não saber absolutamente nada sobre ele, mas acredito que se tivesse criado muita expectativa acabaria me decepcionando com alguns aspectos apresentados que me incomodaram por serem muito previsíveis.


Ganhador do Oscar de "Melhor Filme", essa obra de arte é um verdadeiro exemplo na quebra de tabus. O filme conta a história de Chiron, jovem, pobre, negro e gay, que nasceu no mundo das drogas e logo na infância já é vítima bullying. A realidade do filme é bem complicada para um leigo como eu falar, mas é chocante e trágico ver o desenrolar da história que se passa em uma periferia. Tudo no longa é trabalhado perfeitamente para expressar uma crueza dos detalhes dessa realidade, assim como as atuações que foram incríveis dentro das limitações dos personagens. O filme não precisa forçar enredo para ser chocante porque na sua própria simplicidade de ritmo ele já cumpre muito bem o quesito.


Quinto filme da saga, em Guerras de Sangue não vemos nada de novo em relação aos filmes anteriores. A sequência começa a apresentar que a franquia já está dando seus sinais de fraqueza. Fora a rotina de guerra criada entre os vampiros e lobisomens, o filme não decepciona os fãs amam o universo de Anjos da Noite e que gostam de ver muito sangue sendo derramado.


Apesar de ser lançado em 2014, fotografia, cenário e figurino formam um clima e ambiente de época. A história pode ser muito semelhante a "O Homem Duplicado (de 2013)", mas sua confusão é mais densa porque é constante a dúvida sobre qual realidade o protagonista está. Jesse Eisenberg contribuiu com uma atuação maravilhosa em seus dois personagens que são de personalidades completamente opostas. O filme tem um grande poder de reflexão, mas me decepcionei por tão ter conseguido entendê-lo completamente, por isso entrou na gavetinha para reabrir daqui uns anos. Mas por agora, se você gostou de "O Homem Duplicado ", provavelmente irá gostar de "O Duplo".


Até a próxima Ledores!

02 March 2017

Série: Limitless (2015 – 2016)

   Brian Finch tem 28 anos e toda sua existência se resume a nada, sempre falhando na busca em fazer algo bom na vida. Até que conhece NZT, uma droga em forma de pílula que misteriosamente dá 100% de acesso à capacidade de seu cérebro. Ter acesso a toda inteligência é um preço alto a se pagar, e Brian percebe isso da pior maneira: após o efeito da droga passar, começam a aparecer os seus efeitos colaterais.
   Aí que o Senador Edward Morra entra na história e propõe uma parceria para Finch. Morra também é usuário e está um passo a frente da droga: ele desenvolveu a imunidade dos efeitos colaterais. Sua parte do acordo é fornecer injeções para Brian – que se destacará de qualquer outro usuário por ter imunidade – mas em troca, Brian terá que usar essas habilidades para ser seu bode expiatório dentro do FBI, do qual foi contratado como consultor devido à inteligência repentina.
   Mas ficará difícil para Brian jogar dos dois lados, já que dentro do FBI criará laços com Rebecca e outros agentes, além de começar a se envolver com os casos e se destacar por suas habilidades fornecidas pela droga, assim entrará de cabeça no mundo da investigação criminal e no dilema de que o Senador tem total controle sobre ele já que precisa fazer tudo para ter acesso à imunidade.



   Infelizmente a série foi cancelada ainda na primeira temporada, mas é uma ótima indicação para prolongar as suas experiências caso você tenha visto o filme "Sem Limites (2011)" e queira viver mais um pouco dentro desse mundo.
   Os episódios vão surpreendendo a medida em que os acompanhamos, os personagens são muito bem interpretados e seus textos são bem escritos. Vale ressaltar que assim como o clima policial investigativo, a série também usa muito a comédia para entreter quem assiste.
   Particularmente, não é o meu gênero favorito e não daria certeza se continuaria vendo a série, mas fiquei triste com o cancelamento. Era uma série boa, original e que poderia ter sido mais explorada. De qualquer forma, fica a indicação!


Até a próxima Ledores!

20 February 2017

Filme: Diário de uma Adolescente (2015)

    São Francisco. O ano é de 1976. Minnie Goetze é uma adolescente de 15 anos que sonha em ser autora de história em quadrinhos. Ela é curiosa, não sabe absolutamente nada sobre o mundo e o poder que seu corpo tem. Ainda virgem, ela nos conta de uma forma inocente e pura o seu amadurecimento e dramas da transição pela qual está passando para se tornar mulher.
     Essa história pode ser normal na vida de qualquer mulher que já tenha passado por essa fase, exceto que Minnie passa a dormir com o namorado de sua mãe. 
      Cada vez mais envolvida sexualmente e afetivamente com seu padastro, ela passará a maior parte do tempo desenhando e contando ao seu diário sobre suas descobertas em relação ao sexo, drogas e o mundo.


    Ao parar para pensar, o filme era para ser pesado pelo seu tema polêmico, mas tudo foi feito de uma forma tão natural e clara que o resultado passa longe de ser um escândalo, dando assim ao telespectador, toda a responsabilidade de reflexão de como aqueles temas são importantes a ser debatido.
    O roteiro, trilha sonora e a fotografia são impecáveis, assim como as interpretações e o figurino, realmente fazendo jus à época em que o filme acontece... 
    No geral, é um filme com uma grande dose psicológica e uma pitada ainda maior de comédia. Ao assistir, você irá sentir a angustia dos personagens, sofrer junto com eles e se revoltar com tamanha bizarrice, mas também irá dar risada e sentirá uma onda de bem estar e de calmaria que o filme traz.


A adolescência não é apenas uma fase difícil de se viver ou compreender, também é um momento bem complicado de se transportar para a tela do cinema. Não é fácil transmitir o misto de ingenuidade e descoberta, de inocência e sensualidade, de anarquia e responsabilidade. The Diary of a Teenage Girl é uma obra irregular, mas que tem como principal mérito o desenvolvimento de uma protagonista complexa, fascinante e tridimensional. Adoro Cinema

Até a próxima Ledores!

09 February 2017

Resenha: Não Tão Primos

   Muitas coisas podem acontecer nas férias escolares de virada de ano letivo, e não seria diferente para Bernardo, um adolescente gay de 15 anos que sofreu agressões originadas de bullying justamente por sua orientação sexual.
   Tudo começou quando conheceu Matheus, um deus grego nadador por quem se envolveu e deu seu primeiro beijo. Tudo foi mágico e perfeito até os amigos de Matheus verem os dois juntos, tirarem suas próprias conclusões e começarem a boicotar o romance.
   As “brincadeiras” verbais chegam ao ápice quando ele é humilhado agredido em meio ao shopping, tornando o resto de suas férias um verdadeiro filme de terror.
   Mas as aulas estão recomeçando e ele terá que voltar para a escola e enfrentar os olhares de piedade e julgamento de todos os alunos, e, o pior: terá que conviver com seus agressores como se nada tivesse acontecido.
   É insuportável cada momento dentro daquela escola. Mesmo com sua melhor amiga Gabi, ele se sente deslocado e angustiado por estar ali, mas a notícia de que seu primo Gustavo está chegando na cidade e irá morar com ele, o deixa mais feliz, afinal, nem são tão primos assim. 
   Logo que Gustavo chega, o clima surge e antes que perceba, Bernardo já esta perdidamente apaixonado por ele. Mas uma coisa o perturba internamente: seus sentimentos ainda nãos resolvidos por Matheus.
   Formado o “triangulo amoroso”, iremos acompanhar os dramas pelos quais Bernardo está passando e ver de perto um adolescente descobrindo o mundo e a si próprio, navegando entre seus pensamentos e sentimentos.


   Pegue sua roupa de banho, faça uma limonada e corra pra beira da piscina pra ler o livro, porque como as pistas na capa, é assim como ele deve ser lido: com seus óculos de sol, em uma sombra fresca e entrando no clima de verão da história.
   O livro começa com uma história clichê, dando aquela sensação de que já vimos isso em algum lugar, mas logo depois de algumas páginas já ficamos aflitos e angustiados com a tensão causada pelo preconceito sofrido pelo protagonista. O autor nos descreve de forma precisa e nos coloca na pele de Bernardo para saber como ele se sentiu ao ser discriminado por ser quem é.
   A história é narrada para o leitor em primeira pessoa, com prioridade em descrever os sentimentos do protagonista, o que torna a leitura mais fluída, já que lemos as palavras como se estivéssemos lendo seus pensamentos. Assim como a angústia, o autor deixa nítido a confusão em que o personagem se encontra.


   O autor usa a reviravolta para prender o leitor e poder reinventar sua história para fazer com que as possibilidades de outros caminhos sejam criadas. Uma tentativa de fugir do triangulo amoroso adolescente que deu certo, já que a partir dessa reviravolta o livro desperta o sentimento de carência e admiração em personagens dos quais com certeza você irá se identificar.
   Não é de minha preferência ler romances infanto-juvenis, mas me senti conectado ao ler o livro por retratar uma parte da minha vida: a sexualidade. É necessário termos mais livros como esse, que falam sobre como deve ser considerado normal qualquer tipo de amor, sobre como o preconceito tem um impacto enorme na vida de quem sofre, sobre como pode ser difícil a própria aceitação, enfim... O livro levanta questões que são de extrema importância pra sociedade e que devem ser faladas e refletidas.
   Talvez o único ponto tenha me incomodado na leitura e que gostaria ressaltar aqui na resenha, foram os erros de edição e impressão. Não foram muitos, em alguns parágrafos a frase pulava para outra linha repentinamente me atrapalhando e interrompendo o ritmo de leitura.


   Como todo o livro, "Não Tão Primos" tem seus altos e baixos, suas calmarias, suas reviravoltas e principalmente a perspectiva íntima do autor. Mas no geral, é um bom livro e me envolvi com a leitura. Gargalhei assim como senti na pele as angustias do personagem e, no final, percebi que Bernardo se tornou um amigo para mim, do qual em uma tarde de verão vou poder recorrer e reviver os momentos que passamos juntos.

Até a próxima Ledores!

31 January 2017

Filmes de Janeiro de 2017

    Pra começar o ano bem e aproveitar bastante as férias da faculdade, esse mês dei prioridade aos filmes que queria ver e as indicações que me fizeram ficar curioso. Pega a pipoca e vem que hoje o post é sobre todos os filmes que vi em Janeiro de 2017! Para ler a sinopse, só clicar no nome do filme.

   Comecei o meu ano cinematográfico assim: QUE EXPLOSÃO! Estudo psicologia e esse foi um prato cheio pra poder desenvolver várias filosofias aprendidas com a faculdade. Sendo leigo, é um ótimo filme que explora a mente humana e como tudo tem sua causa. Tudo é detalhadamente calculado antes de ser introduzido e apresentado para nós. Tanto roteiro como a fotografia do filme são simples mas que juntos desempenham a maior qualidade do filme.

   Eu amo qualquer humorista do "Vai Que Cola" e não seria diferente nesse filme protagonizado pela Samanta Schmutz que interpreta a pobre e dramática Selminha, que fica rica do dia pra noite e tem a missão de gastar trinta milhões de reais em trinta dias. Não há muito o que se dizer de um filme de comédia, ainda mais quando o filme é brasileiro - que convenhamos, nós lideramos o mercado de comédia - mas em "Tô Ryca" temos um humor simples e livre de humor negro.

   Totalmente por indicação e na esperança de que esse filme seria tão bom quanto "O Homem Duplicado", acabei me decepcionando um pouco com essa história. O ponto principal do filme é seu plot baseado no mistério e terror psicológico, e com uma trilha sonora maravilhosa, ele cumpre seu papel dando muita tensão ao espectador.


   É um filme definitivamente confuso e que me fez ficar perdido em relação a definir minha experiência ao assisti-lo por causa da sua metáfora. A sua originalidade torna-se referência quando o enredo é envolto por uma história onde é possível remover memórias afim de evitar mais decepções futuras. Roteiro, trilha sonora e a fotografia do filme combinam perfeitamente para deixar uma marca em quem o assiste. Se você for ver esse filme esperando um romance clichêzão, pula pro próximo! Nesse enredo maduro não temos nenhuma princesa à esperara de seu príncipe e o final feliz, e sim o desgaste emocional que um relacionamento causa e como a falta pode insuportável.

   É possível sim projetar a nossa realidade em um filme onde super-heróis coexistam com a humanidade e ainda retratando temas cotidianos para sua abordagem. Baseada e adaptada dos quadrinhos, nos encontramos com um filme fictício que devido a sua grande maturidade nos tira de um mundo fantástico impossível e nos leva para um mundo livre de conto de fadas e de finais felizes. É uma adaptação crua e sangrenta,  que se assemelha ao máximo da nossa própria realidade. Lançado muito antes dos filmes heroicos que temos hoje, ele questiona o real propósito de ser um super herói e satiriza como seu papel pode ser meramente metafórico.

   Vergonha por ter quase vinte e dois anos, amar filmes de ficção científica e nunca ter visto "Efeito Borboleta"? SIM, TOTALMENTE! Esse é considerado um dos melhores filmes do gênero e um clássico quando se fala em viagem no tempo. Não morri de amores mas suas qualidades técnicas me impressionaram: tem um roteiro genialmente bem escrito, uma fotografia que não é pesada e uma trilha sonora até que boa considerando a época que o filme foi lançado. Apesar de um furo na história ter me dado um certo incomodo e de ter demorado muito pra assistir, é um ótimo filme para introduzir os amantes de viagem no tempo!

   Nesse drama temos o mundo da moda produzido com um efeito metafórico e misterioso. A protagonista carrega a beleza divina que os padrões buscam e ao longo do filme é invejada por isso. Claramente é uma crítica a esse mundo e como as pessoas ultrapassam seus limites para chegar nesses padrões. Ao contrário da maioria das opiniões sobre, não achei a trama lenta ou forçada, mas sim contemplativa. As cenas que parecem câmera lenta de tão longas e paradas que são me proporcionaram um tempo para reflexão sobre o que assistia, e toda essa contemplação acaba sendo uma ferramenta importante para o filme se tornar tão metafórico. A fotografia da obra é simplesmente incrível, as cores em tons de rosa e azul neon casam perfeitamente com a intenção do filme.

   Junte um sobrevivente isolado em uma ilha prestes a se matar com o cadáver de Harry Potter que não para de soltar gases que você vai ter um filme que provavelmente vai um dos mais bizarros que já viu na vida. Longe do convencional, temos uma história leve mas com uma profundidade enorme, fica como reflexão o valor de conhecer a si mesmo e o valor da vida. Seria cômico se não fosse trágico, o filme trabalha com duas camadas: a visível e intencional que é a comédia e a filosófica e trágica que é a solidão.

   Ainda é possível existir clichês bons pleno ano dois mil e dezessete? Claro que sim, e esse filme é a prova viva disso. Verão, adolescentes, festa de despedida e ir pra faculdade, já estamos muito habituados com essa junção não é? Mas a simplicidade e a leveza dessa história torna o filme diferente e único, isso porque os elementos considerados clichês são retratados e usados sem nenhum drama pesado e com a intenção de fazer o telespectador cair as lagrimas, tal como a morte; sofrimento por término de namoro, perda da mãe ou pai, etc... A mensagem principal e que mais emociona é o sentimento que uma amizade sincera pode nos proporcionar, como os amigos são importantes para a nossa formação e como eles podem ser nossa segunda família.

   Depois de ler muitas críticas positivas, finalmente conferi esse lançamento do finalzinho de 2016 e considerado um dos melhores do ano. O filme foge do padrão ficção-científica-alienígena-apocalipse-destruição-etc e tem uma abordagem mais ampla com ênfase no valor da comunicação. A inteligência do filme pode fazer o mesmo parecer um estranho aos olhos de leigos - como eu - mas a sagacidade do roteiro e trilha sonora, nos enche de curiosidade para não abandonarmos a história até chegarmos ao clímax e entendermos o filme. A reflexão que mais me tirou pensamentos, foi a de que estamos muito mais perto de seres que não conhecemos do que de nós mesmos. Nos dividimos entre nações e fazemos dos nossos próprios iguais como inimigos, por isso, o valor da comunicação no filme ficou tão intensa e contemplativa.

   Mais um filme pra lista de vergonha em não ter assistido antes! Assim como "Efeito Borboleta", esse filme é ainda mais pioneiro quando se trata de ficção cientifica, já que ele inspirou praticamente todos os filmes sucessores do gênero.  Vou ser muito julgado ao falar isso, mas não gostei tanto do filme quanto achei que fosse gostar justamente por ter demorado tanto para assistir. Deveria ter entrado no mundo das ficções através desse filme e usado suas referências para minhas experiências com outros filmes que viriam em seguir, mas infelizmente o contrário aconteceu. Sobre as qualidades técnicas, está tudo muito bem produzido levando em conta a época em que o filme foi executado.

   Posso chorar em paz até meus olho secarem? Todo filme que envolva doença e morte pode até ser considerado clichê sim, mas esse supera esse rótulo e quebra tabus para leigos do assunto. A história é centrada em nos mostrar como o vírus da AIDS começou a se propagar nos Estados Unidos no ano de 1981, tendo a maioria dos portadores sendo os homossexuais. A doença apelidada de "câncer gay" não recebe muita importância do governo e é por isso que um grupo de amigos resolvem formar uma organização de assistência para os infectados. O filme nos mostra de uma forma emocionante como a doença deixou dúvidas nas pessoas; as amedrontou em relação a seus próprios desejos; interferiu de maneira muito triste em seus relacionamentos; enfim, sobre como foi o início da doença. Sem dúvidas esse foi um dos melhores filmes do mês e provavelmente será um dos melhores do ano. Além de contar com um elenco em peso - como Mark Ruffalo e Julia Roberts - a história é sensível, emocionante e muito intensa. Prepare sua caixinha de lenços antes de dar play no filme porque ele vai te fazer derramar algumas lágrimas!

   Como seria se o próprio Hitler acordasse na Alemanha nos tempos de hoje? Como um amante de Anne Frank e qualquer assunto que se assemelhe a "judeus na Segunda Guerra Mundial", particularmente senti muita aversão ao ver esse filme. O seu poder de reflexão é enorme devido a sua sátira de usar uma figura dolorosa para provar um argumento que estamos cansados de saber: ainda há muitas chances de monstruosidades como as do passado acontecerem novamente. Não tenho pretensão em assistir o filme de novo pela aversão que senti ao assisti-lo.

   Como foi uma indicação, já sabia que de romance feliz essa história não teria nada, então aconselho quem for ver esse filme se preparar psicologicamente pra ver as dificuldades do relacionamento de um casal que não estavam destinados a ficarem juntos. As atuações de Ryan Gosling e Michelle Williams estão impecáveis e muito bem dosadas nas cenas em que era necessário uma paixão e nas cenas que eram necessário frieza. O filme é todo intercalado entre presente e passado, aumentando a tensão e curiosidade cada vez mais em saber onde tudo começou a desgastar na vida do casal. 

Esses foram os favoritos do mês:

   Algumas histórias me cativaram mais do que outras e levaram um favorito, mas no geral todos os filmes possuem ótimas qualidades técnicas e são maravilhas dentro de seus gêneros. Espero que aproveitem as indicações, afinal, teve opção pra todo o gosto!
Até a próxima Ledores!